comendo nas mãos dos bandidos
A rebelião acabou nos presidios? Não. Acabou para nós, para a opinião pública, para a imprensa que precisa vender jornal, para as TVs e rádios. A rebelião é permanente. Desde que foi fundado o PCC, o governo do Estado vem cedendo às pressões dos criminosos. Lembro quando em 1996 surgiram os primeiros cartazes com os números 15:3:3 Em alusão à ordem das letras "p" e "c" no alfabeto. Lembro também de um radialista, hoje deputado, Afanásio Jazadi (Deus me livre...) alertar o governo tucano em relação a tal sigla e receber como resposta um tranquilizador "relaxe, isso é nome de um bloco carnavalesco" Este final de semana passado o bloco saiu as ruas e matou policiais despreparados e sem equipamentos para enfrentar esse covardes criminosos. Morreu até bombeiro. A arrogância do tucanato, naquela época preocupada com o plano real e com o neo-liberalismo de butique avaliava que o povo, livre da inflação, comprando frango e microondas como nunca, não daria importância à política de segurança pública.
Enquanto isso o crime se organizava. Com os braços coniventes de maus policiais, agentes penitenciários, e advogados inescrupulosos. Somado a esse quadro, a lavagem de dinheiro se especializava nos bingos e seus deputados corruptos. O presidente foi reeleito com uma suspeita votação de uma emenda incostitucional. Em 2001 Geraldo Alckmim já negociava com criminosos certas regalias sob a ameaça da já poderosa organização. O Estado tornava-se refém na primeira megarrebelião da história, onde 29 penitenciárias rebeladas, (nenhum prisioneiro foragido) mostravam à sociedade um grupo com comando e muito poder de fogo. Alckmim nunca soube lidar com a violência. Correu até uma vez à casa de Silvio Santos sob a exigência de um moleque que havia invadido a casa do apresentador após o sequestrado da filha do homem do baú.
Em 2003 Lula assumia o país. Cortando verbas públicas destinadas à nossa segurança o governo petista preocupado com o tal do superávit primário mostrava serviço ao FMI, nos deixando na mão, sem educação, saúde e segurança. Poderia cortar os gastos da inchada máquina de governo, mas preferiu seguir a política econômica iniciada em 1994. O episódio que não acabou definitivamente ontem, logo vai se apresentar ao povo em uma próxima e não tão distante ocasião. Os presos vão se acalmar um pouco durante a copa, serão dadas algumas TVs para as lideranças criminosas, celulares continuarão nas celas, corruptos do sistema prisional continuarão impunes e a eleição terá novamente o espetáculo das promessas. De um lado Alckmim contando suas bravatas, mas quase 12 anos de ineficiência não nos enganará. Do outro lado o grande fanfarrão apresentando números da economia de seu governo cheio de lama. Com o poder de decisão, o eleitor. Mas temos só estas duas opções...ou talvez uma alternativa: o primeiro comando da capital.
Escrito por db às 11:36 AM
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